Os males dos ensino em Portugal diagnosticados: o duo Válter e Maria de Lurdes e o marranço de resumos dos Lusíadas
A Pátria do outro era, santos tempos!, a língua portuguesa. A Pátria destes (tempos, digo eu) é o pontapé e a cabeçada na bola ou no plexus solar. Figo e Ronaldo substituíram com vantagem, principalmente para si próprios, o Padre António Vieira e Cesário Verde (padre quê?, Cesário quê?) A ministra bem pode lançar o seu olhar de Medusa sobre os professores, fechá-los na Torre, cortar-lhes a cabeça como a Rainha de Copas, mas que podem os professores fazer se, segundo o Estatuto da Carreira Docente, não são professores, são "pessoal docente", e se não lhes cabe, como antes, ensinar mas "diversificar aprendizagens" e "desenvolver competências cognitivas"? Quem se admirará então que nos exames nacionais de Português do 9.º ano tenha havido 46% de negativas? Mas o secretário de Estado Válter Lemos está optimista os resultados, depois de ano e meio de profícuo trabalho dele e da ministra, só "pioraram um pouco" (100% em relação a 2005!) e estão "dentro do intervalo esperado". Provavelmente foi azar, o remate saiu por cima ou a bola foi à barra. Ou então foi porque os alunos andaram o ano todo a decorar resumos de Camões e Gil Vicente e saiu-lhes na rifa David Mourão-Ferreira. Ainda se fosse o poema de Manuel Alegre sobre o Figo!
Manuel António Pina, "O "jornalês" que escrevemos", Jornal de Notícias, 16 de Maio de 2006, última página.
Manuel António Pina é jornalista e escritor.
Deixem-na trabalhar, deixem-na trabalhar ou como fazer uma associação de ideias perigosa e errónea
O Presidente da República diz que é preciso deixar a ministra da Educação trabalhar para que sejam concretizadas as necessárias mudanças nas escolas e no sistema de ensino. É a reacção do chefe de Estado aos incidentes violentos numa escola do Lumiar, em Lisboa, que resultaram na agressão de uma professora.
O Presidente da República, Cavaco Silva, salientou hoje que são necessárias mudanças nas escolas e no sistema de ensino, apelando a que se "deixe actuar" a ministra da Educação para tentar aumentar a qualidade no sector. "Deixemos a ministra da Educação actuar com a experiência e as competências que tem para ver se aumenta a qualidade no nosso sistema educativo", afirmou Cavaco Silva, questionado pelos jornalistas sobre a violência nas escolas, durante uma audiência com alunos e professores de escolas do Montijo integrados num projecto de cidadania. Na segunda-feira, professores encerraram a Escola Básica 1 São Gonçalo, Lisboa, depois de uma docente ter sido agredida sexta-feira pelos pais de um aluno. "São situações lamentáveis, como é óbvio. É uma demonstração de que é preciso fazer mudanças nas escolas, no sistema de ensino", afirmou, sublinhando que "existem vários relatórios internacionais que demonstram a ineficiência" do sistema educativo em Portugal. Cavaco Silva recordou que, no seu discurso de posse no Parlamento, a 9 de Março, elegeu a qualificação dos recursos humanos como um dos cinco grandes desafios que Portugal enfrenta. O Presidente da República recebeu hoje em Belém um grupo de seis alunos de três escolas do Montijo integradas num projecto, "Escola da Cidadania", vocacionado para acções de voluntariado, formação e associativismo, envolvendo a Câmara Municipal e várias associações locais.
SIC / Lusa, 13 de Junho de 2006
Aníbal Cavaco Silva é o actual Presidente da República. Ocupou o lugar de primeiro-ministro de 1985 a 1995. É economista.
E os jornais, por Zeus, os jornais...
O historiador e professor universitário José Pacheco Pereira defendeu ontem, na Covilhã, que nenhum professor devia falar aos alunos sobre Internet sem mostrar que a sabe consultar e fazer a triagem do que é real e falso.
Após uma intervenção, no encerramento do Encontro de Bibliotecas Escolares em que foi abordado o uso de novas tecnologias e a prática da leitura na sociedade contemporânea, o orador foi questionado pela assistência sobre as medidas que tomaria se fosse ministro da Educação. "Não tenho a mínima intenção de ser ministro da Educação, mas, entre outras coisas, impediria que um professor falasse aos alunos sobre internet sem mostrar que a sabe consultar e procurar informação", respondeu.
"Começa a haver a prática generalizada de atirar os alunos para a Internet, sem que eles tenham as literacias necessárias para fazer pesquisa e distinguir sites fidedignos de pseudoinformação, verdadeiro e falso, relevante ou não" , referiu.
Jornal de Notícias, 27 de Maio de 2006
José Pacheco Pereira é professor universitário no ISCTE, historiador e bloguista ligado ao PSD.
O mau jornalismo tem rosto e não é o Expresso
Manuel António Pina, "O "jornalês" que escrevemos", Jornal de Notícias, 16 de Maio de 2006, última página.
Manuel António Pina é jornalista e escritor.
Os leitores preferem as loiras ou como o povo não gosta de Maria Gabriela Llansol

João Camilo dos Santos, "A Literatura Portuguesa Contemporânea" in António Costa Pinto (coord.), Portugal Contemporâneo, Lisboa, Dom Quixote, 2004, p.248.
João Camilo dos Santos é professor no departamento de espanhol e português da Universidade da Califórnia - Santa Barbara.