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Os leitores preferem as loiras ou como o povo não gosta de Maria Gabriela Llansol

Portugal Contemporâneo
O prestígio editorial de um grupo de romancistas consideradas "ligeiras" e em geral menosprezadas pela crítica que se pretende séria (mas há exemplos muito semelhantes na literatura escrita por homens) deve também ser assinalado, pelo que sintomático pode revelar acerca do estado actual da cultura e do ambiente literário portugueses. Os trinta anos que se seguiram à "revolução" de Abril de 1974 e a integração na Comunidade Europeia não parece terem resolvido, antes pelo contrário, o problema da educação em Portugal. O elevado número de analfabetos ainda existentes no país e o facto de Portugal continuar a ocupar nas estatísticas e relatórios europeus sobre o estado da educação os lugares da cauda indicam que a grande reforma da sociedade portuguesa ainda não foi feita. O fosso entre as elites citadinas, com pretensões arrogantes e por vezes provincianas de cosmopolitismo, e o resto da população não só não foi eliminado como parece ter-se tornado mais profundo nos últimos anos. A diminuição da exigência que tem vindo a instalar-se no ensino escolar acaba assim por ter sérias consequências na produção e no consumo de bens culturais. A essa situação deprimente não escapa a literatura.

João Camilo dos Santos, "A Literatura Portuguesa Contemporânea" in António Costa Pinto (coord.), Portugal Contemporâneo, Lisboa, Dom Quixote, 2004, p.248.

João Camilo dos Santos é professor no departamento de espanhol e português da Universidade da Califórnia - Santa Barbara.