O KIP...

Miguel Pinto, OutrÒÓlhar

Ainda bem que “A cultura escolar ainda se baseia na leitura e na escrita.” É difícil imaginar uma sociedade humana “Pós-Moderna”, globalizada, que dispense a escola do treino da leitura e da escrita. Não estou a imaginar uma escola paralela capacitada para resolver o problema da formação de competências básicas da leitura e da escrita. Terá de ser esta escola, apesar de se mostrar incapaz de promover o desenvolvimento de um conjunto de inteligências, mas bem “rotinada” para o treino da leitura e da escrita, a «linha de vida» para segurar as crianças e jovens à Cultura.
A escola deve cuidar em primeiro lugar da formação geral, que é teórica, e só depois, ou sendo acompanhada [se preferirmos ordenar as prioridades] por uma formação orientada para a prática.
Transformar uma “escola geral” numa “escola específica”, ou técnica, ou outra, é amputar à sociedade um dos seus membros estruturais.

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Paulo Guinote, A Educação do meu Umbigo

"O professor do ensino não superior é uma espécie de cruzamento entre gambuzino e animal protegido (não sei se em vias de extinção, se por motivos de quarentena). Fala-se dele, diz-se que são muitos, mas raramente se encontram sem ser em «cativeiro».

Queremos um debate sobre Educação numa estação televisiva que se quer «de referência» em matéria de informação? Chamam-se um psicólogo e um advogado. Ou dois políticos. Ou um jornalista que à partida diz conhecer pouco do assunto, uma docente universitária com umas ideias sobre como manter a ordem numa aula, um historiador que deu seis meses de aulas numa associação num bairro problemático e uma opinadora assertiva que «até já deu aulas» na Damaia. Chega ter entrado numa escola e «dado umas aulas» e já se atingiu o Graal da sapiência na matéria. Até há um curioso espécime no universo destas coisas que evoca uma experiência passada há 30 anos como professor ocasional, para dar patine sabedora às suas posições.

Quem lá fica a fazer a sua vida profissional é que não percebe nada do assunto.

«Não se sabe distanciar».

O professor «básico» ou mesmo «secundário» só tem direito a voz e a opinar mais de 30 segundos se for representar alguma nomenklatura particular. Porque é representante de um sindicato, de uma associação ou qualquer outra função específica que, por regra, até implica que não exerça a docência como actividade principal.

Isto é patético e profundamente desrespeitoso."

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José Luiz Sarmento, As Minha Leituras

"Nem todos aprenderam em casa a controlar a violência ou a respeitar os adultos. Esta circunstância tem que ser gerida? É claro que tem. Mas tem que ser gerida a todos os níveis. O sistema educativo não pode alhear-se dum facto que é geral e social, e endossar a sua gestão às escolas para que a façam sozinhas. Nem as escolas podem, por sua vez, endossá-la ao professor para que se encarregue dela, isoladamente, na sala de aula. E no entanto é isto que acontece: o professor vê-se na situação de um ponta de lança a quem os médios não passam jogo mas a quem os adeptos exigem mesmo assim que marque golos."

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