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O KIP...

Paulo Guinote, A Educação do meu Umbigo

"O professor do ensino não superior é uma espécie de cruzamento entre gambuzino e animal protegido (não sei se em vias de extinção, se por motivos de quarentena). Fala-se dele, diz-se que são muitos, mas raramente se encontram sem ser em «cativeiro».

Queremos um debate sobre Educação numa estação televisiva que se quer «de referência» em matéria de informação? Chamam-se um psicólogo e um advogado. Ou dois políticos. Ou um jornalista que à partida diz conhecer pouco do assunto, uma docente universitária com umas ideias sobre como manter a ordem numa aula, um historiador que deu seis meses de aulas numa associação num bairro problemático e uma opinadora assertiva que «até já deu aulas» na Damaia. Chega ter entrado numa escola e «dado umas aulas» e já se atingiu o Graal da sapiência na matéria. Até há um curioso espécime no universo destas coisas que evoca uma experiência passada há 30 anos como professor ocasional, para dar patine sabedora às suas posições.

Quem lá fica a fazer a sua vida profissional é que não percebe nada do assunto.

«Não se sabe distanciar».

O professor «básico» ou mesmo «secundário» só tem direito a voz e a opinar mais de 30 segundos se for representar alguma nomenklatura particular. Porque é representante de um sindicato, de uma associação ou qualquer outra função específica que, por regra, até implica que não exerça a docência como actividade principal.

Isto é patético e profundamente desrespeitoso."

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